Onde o imponderável vira inútil.

19 março 2006

Futuro

Desnecessárias são as desculpas pelo longo e tenebroso período sem posts, galera, pois são óbvias.
Ocorreu que neste período eu passei por um pequeno périplo ("périplo" não parece um caroço de origem obscura?) pessoal: eu e Sra. Grimble tentamos engravidar via vidrinho. "Via vidrinho": leia-se fertilização in vitro.
Conseguimos.
Em breve (ora, cacete, é claro que é breve, nove mezinhos!), teremos um ou dois Gimblezinhos, algumas milhares de gramas de pura peraltice.
Achando-me absolutamente incapaz de fazer algo mais bonito (*), insiro abaixo texto o Branco Leone em homenagem a seu(s) futuro(s) sobrinho(s). Quase tudo é verdade.

Ela, um dia, sentiu-se só (maneira de dizer) e entrou no Par Perfeito. Ele, por acaso, passava por ali e a encontrou. Viram-se, conheceram-se, quiseram-se, casaram um com o outro. Ele de Niterói, ela de São Paulo. Ela, como quem compra um Opala 72 que tivesse trabalhado na praça à beira-mar, fez o traste subir a serra e (maneira de dizer) encostou-o na sua garagem. Botou o traste na ginástica, fez com que voltasse para a escola, mandou tratar-lhe os dentes, desfazer a vasectomia, ensinou-lhe o caminho do barbeiro. Trabalheira insana! Era como (maneira de dizer) estivesse
lhe aumentando o valor de revenda.

Era chegada a hora da segunda parte: ter um filho. Mas o Opala não servia mais para isso, a vasecotmia havia sido bem feita demais. Então começou o calvário de agulhas, remédios, hormônios, embriões congelados, abre as pernas ali, bate uma punheta aqui, endométrios que nunca estavam na espessura certa — e a espessura dos endométrios, acredite, é fator definitivo para que essa porra (maneira de dizer) funcione. Tensão, cansaço, tristeza e uma quase-frustração se instalando. Era a última curva, a última tentativa, o dinheiro se acabando junto com a esperança. Semana passada deu tudo certo, eles passaram pela última curva. Senhor e Senhora Grimble estão grávidos! E podem ser dois, dois pequenos Grimbles de uma vez!

Ah, se esses filhos da puta um dia maltratarem os pais, eu cubro os safados de porrada. Maneira de dizer, é claro...

Obrigado, Gordo.
É bom ter amigos assim.

(*) Ao me ouvir dizer isso, a Sra. Grimble, com um brilho nos olhos, me saiu com uma dessas:
- Como assim? Você já fez a sua parte. Quer algo mais bonito que o que tenho na barriga?

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