Onde o imponderável vira inútil.

04 fevereiro 2006

Lambuzado de melado

Estou indo trabalhar num setor de minha empresa destinado ao atendimento de clientes “alta renda”. Já essa denominação me dá frio na espinha, pois me imagino atendendo telefonemas falando a respeito de aplicações de, digamos vinte milhões. Dói. Sobretudo quando vejo o meu contracheque se esvaindo rapidamente em meio à correnteza de contas múltiplas a pagar. É isso: o salário é único; as contas, múltiplas.
Voltando ao “alta renda”: vou trabalhar lá, certo? Mas eu não sou “alta renda”, meu deuzinho! Sou “baixa renda”, mas sou limpinho...
Que pena que eu não nasci corrompível. Em alguns meses, estaria com os bolsos recheadinhos e gozando feliz de um pôr-do-sol irreal de tão lilás num desses paraísos fiscais.
Tenho que me lembrar de reclamar com minha mãe da educação ética demais que recebi. Devo morrer “baixa renda”.
Mas limpinho.

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