Onde o imponderável vira inútil.

31 janeiro 2006

Traumatologia

O mundo é mau, gente. Mau e cheio de horários, trabalho, computadores e programas que dão pau e nos deixam loucos.
Explico: acabei de voltar de férias, e voltar de férias é uma parte delicada e sensível na vida de todo ser humano. Demanda compreensão dos seus pares e democratiza a síndrome estritamente feminina, conhecida como TPM.
As grandes empresas, por exemplo, deveriam disponibilizar treinamento para nos ensinar a lidar com tamanho trauma. Afinal, quem paga o terapeuta sou eu, pois não?
A primeira semana de volta de férias nos permite entrar em contato direto com o que os filósofos apelidam de "eterno" e é muito semelhante ao que os astrólogos chamam de "inferno astral": tudo dá errado; você se questiona a respeito da utilidade da sua vida; uma nuvenzinha negra paira sobre você e a impressão que se tem é que o ponteiro dos minutos anda inexplicavelmente mais lento que o das horas. Os minutos viram horas, as horas viram dias e os dias viram uma eternidade - daí o contato filosófico com o eterno acima mencionado. A sorte é que depois da primeira semana tudo melhora e você se lembra que existe o MSN e o THC(*), fatores de desestresse e contentamento imensuráveis que pelo menos servem para agüentarmos mais doze longos meses de cativeiro e as inevitáveis e saudosas lembranças da eterna coçação que são as férias.
Bendito é o fruto do vosso ócio.
Ave, férias.
(*) O THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância química presente na maconha, sendo o principal responsável pelos efeitos da planta.

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