Onde o imponderável vira inútil.

17 Janeiro 2006

Post Pré-helênico

O novelo de Penélope e o fígado de Prometeu têm lá as suas parecências: ambos são refeitos à noite, já que precisam estar preparados para a dilapidação de todos os dias. O meu salário pode ser chamado de herói mitológico, pois também se parece com eles: fico um mês camelando feito um louco para no fim do mês recebê-lo e virem os abutres (aluguel, luz, telefone) dilapidarem o meu quase inexistente patrimônio.
Daí, todas as noites antes de dormir eu oro com o cenho franzido para a Santa Megasena, mas herege quando reza dá o contrário. Também... não jogo mesmo.
Só há duas saídas. Uma, já se disse, é o aeroporto internacional. A segunda é mais fácil: vai criar galinhas, pega um financiamento do BNDES, não paga e toca a vida. Afinal, o problema não é pagar, mas conseguir emprestado. Pagar é coisa de classe média.
Humpf.

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